Hoje senti-me como turista numa
outra cidade que não a minha.
Resolvi fazer um passeio por
Lisboa do passado, descobri recantos novos, miradouros solitários com uma vista
de perder a respiração...uma outra Lisboa com uma energia vibrante e
contagiante que não se vê durante a semana…
Alfama, do Árabe “ al-hamam” ou “
fonte quente”, que ainda esconde água quente e fria no seu solo.
O nosso percurso tem início junto
ao graffiti de “José e Pilar” no Campo das Cebolas. Ainda com uma pequena
alameda de Palmeiras, que nos podem dar alguma sombra. Seguimos pela Rua dos
Cais de Santarém até chegarmos ao Chafariz D’El Rey, que no séc. XVI, quando
servia navios da Carreira da India, era a principal fonte de água potável,
encostado à muralha da cidade. Se contornar o Chafariz pelo lado esquerdo
encontra a Travessa do Chafariz, ai está a Cisterna que o alimenta. Fica também
a conhecer o Palacete Chafariz D’El Rey.




Voltando ao nosso percurso,
seguimos para o Largo do Terreiro do Trigo, era o Campo da lã, praia onde se secava
a lã depois de lavada e tingida. Fomos até ao Largo das Alcaçarias, que já foi
um lavadouro publico e que em tempos foi chamado Fonte das Ratas, hoje só existe
mesmo o largo. Fazemos uma breve paragem no Largo do Chafariz de Dentro que de
um lado tem o Museu do Fado, que foi a primeira Estação Elevatória a vapor de
Lisboa, edificada em 1868 pela Companhia da Empresa das Águas de Lisboa
aproveitando as águas de Alfama que se dirigiam para o Tejo. E do outro o
Chafariz de Dentro, que ficava já dentro da Cerca Fernandina e que aproveitava
uma nascente. Avançando mais um pouco pelo Beco do Mexia passamos pelo
Lavadouro do Beco do Mexia, que ainda hoje funciona.
A
caminho de um dos pontos de interesse do nosso percurso, o Miradouro de Santo
Estevão, ainda se pode apreciar as várias bicas e chafarizes pelas ruas de
alfama, alguns deles ainda em funcionamento.
Chegamos ao Miradouro, com uma
vista fantástica sobre o casario de Alfama e como o tempo assim o permitiu
avistamos a outra margem.
Descemos em direcção ao Largo de
São Miguel em busca dos vestígios da Cerca Velha ou “cerca moura”, que teve a
sua origem num primeiro sistema defensivo visigótico e posteriormente
recuperado pelos muçulmanos no séc. X e mantido na reconquista cristã no séc.
XII.
Passamos pelo Beco do Penabuquel,
para espreitar umas das muitas portas da Muralha Fernandina, o Arco do
Penabuquel, que hoje faz parte de um edifício.
Na Rua da Judiaria encontramos um
dos troços mais bem conservados da Cerca Velha, e também a Fonte dos Poetas,
que ao seu lado tem um poema de António Botto.
Subimos
pela Rua da Adiça em direcção ao Largo Portas do Sol, mais um excelente
miradouro da cidade, este não tão calmo e discreto como o de Stº Estevão. Após
uma subidinha cheia de escadas mais uma breve paragem para beber um golinho de
água e trincar uma bolacha.
Fomos em direcção ao Museu Teatro
Romano (aproveitar que não se paga, até ver). Por hoje foi o ponto mais alto do
nosso percurso, a partir daqui foi sempre a descer…
Teatro Romano, dedicado ao
Imperador Nero. Serviu de pedreira para a construção da Sé de Lisboa, esta
construída em local sagrado onde provavelmente esteve a Mesquita que por sua
vez estava construída sobre um templo romano.
Para finalizar em beleza um dia
como turista em Lisboa, paramos para descansar e trocar dois dedos de conversa
antes de regressar a casa. O spot escolhido foi o “Pois, Café”, mesmo colado à
lateral da Sé, com um ambiente descontraído e vintage, parecia mesmo que
estávamos numa outra cidade que não a nossa. Tomei um sumo de laranja natural e
não resisti ao Bolo de Banana. Foi uma excelente forma de terminar o dia como
turista na minha cidade.
Quanto a custos, ficou em cerca
de 10€ (lanche e transportes).
até ao proximo passeio....